Descafeinação sem complicação – parte 2

Conforme vimos no post da semana passada, a descafeinação tem um papel fundamental dentro do mundo do café. Hoje continuamos explicando como os métodos mais utilizados comercialmente funcionam para remover a cafeína do grão.

Classificando os processos de acordo com a substância utilizada para a extração, temos os seguintes grupos:

Acetato de etila: O acetato de etila (AE) é um composto muito popular em diversos produtos naturais, incluindo o café verde e torrado, além de contribuir para o aroma característico de muitas frutas. Para descafeinar o café usando o AE como solvente, o grão verde é “cozido” no vapor durante trinta minutos para abrir os poros do café. Isso deixa o grão mais receptivo ao solvente, para em seguida ser enxaguado por uma solução aquosa de AE durante aproximadamente dez horas, até o teor de cafeína atingir 0,1%. Em seguida, a mistura que agora contém também a cafeína extraída do grão, é escoada e os grão são “cozidos” novamente para remover qualquer resíduo do solvente.

Cloreto de metileno (diclorometano-DCM): Esse método de extração de cafeína é similar ao anterior, com a diferença que o acetato de etila entra em contato direto com o grão, enquanto o DCM não. Neste processo, o café é submerso em água quase fervendo por algumas horas, para extrair a cafeína, durante essa etapa, alguns óleos e compostos aromáticos do grão também são extraídos. Em seguida o líquido resultante é escoado para outro tanque onde é misturado com o DCM que se junta seletivamente com as moléculas de cafeína. O próximo passo consiste em ferver o líquido para evaporar o solvente junto com a cafeína, e por último, os grãos são novamente submersos no líquido para reabsorver os óleos e os compostos aromáticos.

Hídrico: Esse processo é diferente dos outros por não utilizar nenhum solvente sintético. O café verde é submerso em um tanque contendo somente água quente. Como no processo anterior, a água extrai a cafeína e alguns outros compostos solúveis do grão, que em seguida é despejada em outro tanque. Agora essa solução passa por um filtro de carvão ativo com a porosidade criada para segurar somente as moléculas de cafeína. O café utilizado na primeira extração é descartado e uma nova leva de grãos entra no tanque para extração, mas ao invés de serem submersos em água, o líquido utilizado é a solução que foi filtrada e não possui mais cafeína. Durante essa etapa acontece a osmose, que extrai somente a cafeína do grão, já que a solução já está saturada com os compostos aromáticos e óleos do café.

Dióxido de carbono supercrítico ou líquido: Esse é o método desenvolvido mais recentemente por cientistas do instituto Max Planck. O café é submerso em água em um tanque de extração e em seguida o tanque é vedado e CO2 supercrítico (entre o estado líquido e gasoso) é injetado no tanque a uma pressão de aproximadamente 200 atm, depois de extrair a cafeína, o CO2 é filtrado para separar a cafeína é reinserido no tanque. Como o CO2 não é um solvente muito eficiente, esse processo precisa ser repetido diversas vezes. Apesar de ser pouco solúvel, o CO2 é bastante seletivo e extrai somente a cafeína do grão. Por ter um custo muito alto, esse processo é indicado somente em grande escala para se tornar viável. Também é possível usar CO2 líquido, que requer pressões e temperaturas mais baixas, mas exige mais tempo para executar a extração.

Todos esses processos resultam em dois produtos: café sem cafeína e cafeína sem café. O café já sabemos para o que serve, e a cafeína? A cafeína é vendida para fabricantes de refrigerantes e bebidas energéticas e também para a indústria farmacêutica que utiliza a cafeína em medicamentos como aspirina e outros analgésicos.

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