Descafeinação sem complicação – parte 1

Death before decaf… não é bem assim.

O café descafeinado é um mal necessário na nossa indústria, já que muitas pessoas não podem ingerir cafeína, às vezes por motivos médicos, muita sensibilidade ou até pela religião. Algumas alternativas surgiram para atender essa parcela da população, como a cevada, chicória e outros grãos torrados não tão saborosos e complexos como nosso querido café.

O químico alemão Friedlieb Ferdinand Runge foi o primeiro a extrair a cafeína do grão de café, em 1820, a pedido do poeta Goethe. Esse experimento não gerou muito conteúdo sobre a composição da cafeína e Runge não procurou aplicar este processo em escala comercial.

O primeiro processo comercial de descafeinação foi inventado somente em 1903 e patenteado três anos depois pelo comerciante alemão Ludwig Roselius. O processo foi descoberto acidentalmente, após uma de suas cargas de café ter sido danificada durante o transporte e ficar submersa na água do mar. Roselius percebeu que o café estava sem o efeito da cafeína, mas boa parte do gosto permanecia inalterada. Depois de algumas tentativas ele chegou a um método que fumegava o café com alguns ácido e algumas bases e depois usava a benzina como solvente para separar a cafeína. Com a descoberta do potencial cancerígeno da benzina, atualmente ela não é mais utilizada como solvente na descafeinação de café, e foi substituída por outros compostos não prejudiciais à saúde, como o acetato de etila, CO2 supercrítico ou líquido, cloreto de metileno ou simplesmente água.

Os métodos de descafeinação são classificados em relação ao tipo de solvente utilizado na extração da cafeína, mas todos os processos são feitos com o café verde e possuem essas etapas em comum:

  • Inchar os grãos com vapor ou água para disponibilizar a cafeína para extração;
  • Extrair a cafeína;
  • Secagem dos grãos de café descafeinado, que recuperam seu teor normal de umidade.

Não percam na semana que vem, os quatro processos de descafeinação usados atualmente.

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